VEJA A NOVA ONDA DE COVID-19 NA FRANÇA
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Obs.: Os gráficos não guardam proporção entre si.
Fonte: Our World in Data
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A França aboliu máscaras em ambientes fechados e deixou de cobrar passaporte vacinal em todos os lugares afora hospitais e asilos. A curva de casos sobe — o aumento na média de infecções foi de 28% na última semana (confira abaixo o gráfico). Não houve piora nos números de mortes nem de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Devido ao repique, o governo da França anunciou a aplicação da quarta dose de vacinas em idosos com 80 anos ou mais. A medida foi tomada também por Dinamarca, Alemanha, Espanha e pelo Estado de São Paulo.
— Já é uma nova onda firme na Ásia e na Europa. A reversão aconteceu há cerca de 20 dias, depois das flexibilizações. A onda de casos não cai lá embaixo. Na França e na Alemanha, os casos ficam na metade da onda de Ômicron, que já é muito maior do que nas ondas anteriores — afirma o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise.
Para Schrarstzhaupt, o aumento de hospitalizações e mortes ocorrerá, mas de forma limitada nos países com alta cobertura vacinal. Ondas anteriores mostraram que, sempre que há incremento em casos, crescem os óbitos, ainda que não proporcionalmente.
Na Alemanha, a média de novos casos passou de 183 mil na quarta-feira passada (10) para 205 mil nesta quarta (16), e a média de internados em UTIs voltou a crescer na última semana, segundo dados do Our World in Data.
O ministro da Saúde, Karl Lauterbach, afirmou que o país tem a “maior incidência” de covid-19 na Europa, com “tendência de alta, várias mortes”. Ele pediu que alemães se vacinem com urgência.
O Reino Unido retirou todas as restrições da pandemia no fim de fevereiro – agora, vê nova disparada no número de casos, com aumento de 40% na média de infecções diárias em apenas uma semana. As mortes e as hospitalizações em UTIs não cresceram até agora.
Em Portugal, onde 95,7% da população está vacinada com duas doses e mais de 60% recebeu três doses, a curva de casos subiu 12% em uma semana. As mortes mantêm queda.
— São vários os fatores que explicam a nova onda. Um é a flexibilização muito rápida e intensa, derrubando uso de máscaras e permitindo aglomerações, com jogo de futebol lotado e pessoas em todo lugar sem máscara. Outro fator é a Ômicron, que se dissemina de forma muito intensa — diz a médica epidemiologista Ligia Kerr, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
Para Pedro Hallal, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a nova onda europeia “é motivo de alerta, mas não de preocupação”. Ele destaca que as vacinas atuais perdem eficácia para evitar infecções, mas mantêm proteção contra casos graves.
— A nova variante (BA.2) chega para infectar uma população altamente vacinada. A tendência é de que não tenhamos aumento tão grande de mortes. A história da humanidade mostra que uma pandemia não dura para sempre. A tendência é de que novas ondas sejam mais fracas até não haver mais onda — observa Hallal.
O Reino Unido retirou todas as restrições da pandemia no fim de fevereiro – agora, vê nova disparada no número de casos, com aumento de 40% na média de infecções diárias em apenas uma semana. As mortes e as hospitalizações em UTIs não cresceram até agora.
Em Portugal, onde 95,7% da população está vacinada com duas doses e mais de 60% recebeu três doses, a curva de casos subiu 12% em uma semana. As mortes mantêm queda.
— São vários os fatores que explicam a nova onda. Um é a flexibilização muito rápida e intensa, derrubando uso de máscaras e permitindo aglomerações, com jogo de futebol lotado e pessoas em todo lugar sem máscara. Outro fator é a Ômicron, que se dissemina de forma muito intensa — diz a médica epidemiologista Ligia Kerr, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
Para Pedro Hallal, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a nova onda europeia “é motivo de alerta, mas não de preocupação”. Ele destaca que as vacinas atuais perdem eficácia para evitar infecções, mas mantêm proteção contra casos graves.
— A nova variante (BA.2) chega para infectar uma população altamente vacinada. A tendência é de que não tenhamos aumento tão grande de mortes. A história da humanidade mostra que uma pandemia não dura para sempre. A tendência é de que novas ondas sejam mais fracas até não haver mais onda — observa Hallal.
Ásia enfrenta segunda grande onda
Países asiáticos enfrentam piora, pela primeira vez desde o surgimento da covid-19. A China, que vê sua política de “covid zero” ser cada vez mais questionada com a existência da supertransmissível Ômicron, registra estouro no número de novos casos, com mais de 1,6 mil infecções diárias. O número é baixíssimo em comparação a nações ocidentais, mas alto para um país que rastreia e isola qualquer pessoa com resultado positivo para a doença em hotéis especiais.
O país já confinou 17 milhões de pessoas, o que afeta inclusive a economia a nível global, pelo impacto nas multinacionais. Na província autônoma de Hong Kong, necrotérios estão lotados e há falta de caixões para abrigar mortes pelo coronavírus. A cobertura vacinal é alta em termos proporcionais, mas baixa entre idosos.
— As ondas na Europa e nos países asiáticos são diferentes. Na Europa, houve quatro ondas anteriores, enquanto que países asiáticos veem agora o primeiro grande aumento. Nosso cenário se assemelha mais ao da Europa, com vacinação e pessoas infectadas previamente — acrescenta o médico infectologista Alexandre Zavascki.
Outros países com piora na epidemia são Áustria, Itália, Suíça, Vietnã e Coreia do Sul, onde 1% da população pegou coronavírus em um único dia.
Países asiáticos enfrentam piora, pela primeira vez desde o surgimento da covid-19. A China, que vê sua política de “covid zero” ser cada vez mais questionada com a existência da supertransmissível Ômicron, registra estouro no número de novos casos, com mais de 1,6 mil infecções diárias. O número é baixíssimo em comparação a nações ocidentais, mas alto para um país que rastreia e isola qualquer pessoa com resultado positivo para a doença em hotéis especiais.
O país já confinou 17 milhões de pessoas, o que afeta inclusive a economia a nível global, pelo impacto nas multinacionais. Na província autônoma de Hong Kong, necrotérios estão lotados e há falta de caixões para abrigar mortes pelo coronavírus. A cobertura vacinal é alta em termos proporcionais, mas baixa entre idosos.
— As ondas na Europa e nos países asiáticos são diferentes. Na Europa, houve quatro ondas anteriores, enquanto que países asiáticos veem agora o primeiro grande aumento. Nosso cenário se assemelha mais ao da Europa, com vacinação e pessoas infectadas previamente — acrescenta o médico infectologista Alexandre Zavascki.
Outros países com piora na epidemia são Áustria, Itália, Suíça, Vietnã e Coreia do Sul, onde 1% da população pegou coronavírus em um único dia.
